Redação: Equipe SEUBARCO

Resumo: Encerrado em 29 de setembro, o São Paulo Boat Show 2026 reuniu barcos compactos, novos motores, projetos de energia e debates técnicos. Veja o que já está disponível, o que ainda é protótipo e o que pode chegar ao mercado.

Durante seis dias, de 24 a 29 de setembro, o São Paulo Expo recebeu a 29ª edição do São Paulo Boat Show. Mais do que uma vitrine de barcos grandes, a feira reuniu propostas para pesca, lazer familiar, navegação de maior porte e novas formas de acesso às embarcações. Também colocou lado a lado produtos apresentados ao mercado e projetos que ainda dependem de desenvolvimento.

Uma feira de perfis diferentes, não só de grandes iates

Entre os destaques estavam embarcações compactas voltadas à pesca e ao lazer em águas abrigadas. A Drakkar apresentou ao público brasileiro a 190 FB, barco de 19 pés pensado principalmente para pesca em rios e lagos. Segundo o responsável comercial da marca ouvido pela NÁUTICA, o estande vendeu dez unidades durante o salão. É um resultado informado por um expositor, não um balanço geral da feira.

Pontoons e barcos menores também apareceram. A cobertura da NÁUTICA destacou opções como o pontoon PK Classic 26 e o barco rotomoldado BDN 160, da Brudden. A variedade importa porque mostra que o mercado atende usos diferentes: reunir família, pescar, apoiar outra embarcação ou navegar em águas interiores. Tamanho, capacidade, transporte, motorização e assistência precisam ser avaliados conforme o uso real.

Lançamentos e negócios: o que os casos individuais mostram

O Seacar Velocity 2027 levou ao salão uma combinação de referências automotivas e náuticas. A fabricante informou à NÁUTICA que cerca de seis unidades haviam sido vendidas durante o evento. Já a Ross Mariner relatou ter esgotado no primeiro dia as unidades de produção de 2026 que planejava comercializar. São casos de empresas específicas: não permitem inferir o total de vendas do Boat Show.

Antes da abertura, a organização projetava R$ 550 milhões em negócios, cerca de 10% acima do valor divulgado para 2025, segundo a Forbes. Até 8 de outubro de 2026, não havia balanço público confirmando o resultado final. Portanto, os R$ 550 milhões devem ser tratados como projeção pré-evento, não como faturamento alcançado.

São Paulo Boat Show 2026: motores apresentados

O salão reuniu motores de popa a gasolina, opções elétricas, motores diesel para aplicações diferentes e uma proposta híbrida para barcos de maior porte. Abaixo, separamos o que foi apresentado como motor ou linha de produto do que apareceu apenas como demonstração ou conceito. Exposição em feira não confirma, por si só, preço, estoque ou prazo de entrega.

Motores de popa a combustão

Yamaha: a marca levou quatro motores novos da linha SDI, com potências entre 150 e 300 hp. A cobertura da NÁUTICA identificou os modelos como FS150HT, FS200NST2, F300FSTS e F300FST2 e destacou recursos de direção integrada. Para especificações da linha 150 HP 4T SDI, consulte a página técnica da Yamaha. O motor H2 a hidrogênio também estava no estande, mas era um protótipo, tratado em uma seção própria abaixo.

Mercury: o destaque foi o Verado de 425 hp, apresentado ao público paulista. A marca também mostrou a família elétrica Avator e um 150 FourStroke aberto ao meio para demonstrar componentes internos; esse corte era uma peça didática de exposição, não um novo modelo. A ficha oficial confirma que a linha V10 Verado inclui a versão de 425 hp. Veja os detalhes da Mercury.

Tohatsu: apresentou no Brasil, pela primeira vez, um motor de 150 hp. O estande reuniu nove motores de diferentes faixas de potência, mas a reportagem não identificou o código do motor exposto. A Tohatsu mantém ficha oficial do MFS150A, seu motor de 150 hp; sem a identificação do modelo no estande, não presumimos que seja o mesmo. Confira a apresentação da Tohatsu.

Propulsão elétrica

A Mercury expôs os Avator 7.5e, 20e e 35e; o 7.5e foi demonstrado em funcionamento em um tanque. A Hidea apresentou os Easy 500 e Easy 1000, primeiros modelos de sua nova linha elétrica no Brasil, com potências de 0,5 kW e 1 kW. São propostas de escalas distintas: para comparar, além da potência, é preciso observar bateria, autonomia, recarga, peso e suporte. Leia sobre a linha da Hidea.

Motores diesel e propulsão híbrida para barcos maiores

A Yanmar levou o 6LY440, o 8LV, de 370 hp, e o 3YM30C, voltado também a veleiros. O 6LY440 foi mostrado com configuração para eixo direto e pé de galinha; a ficha internacional da fabricante indica potência de 440 mhp. Veja a cobertura dos motores Yanmar.

A Volvo Penta levou uma apresentação conceitual do IPS Hybrid, sistema integrado que combina motor a combustão, motor elétrico, baterias e gerenciamento de energia. A fabricante informou que o sistema parte das versões IPS900 a IPS1350, com motores de 13 litros, e prevê sua chegada ao Brasil em 2027. Portanto, não era uma opção de compra imediata no salão. Confira o comunicado da Volvo Penta.

Para quem navega, a comparação não deve parar no número de hp: tipo de casco, instalação (popa, centro-rabeta ou eixo), perfil de uso, consumo, manutenção e rede de assistência mudam o que faz sentido em cada embarcação.

Hidrogênio: protótipo e projeto não são produto pronto

A Yamaha exibiu o H2 Hydrogen Engine, um protótipo de motor de popa derivado da família XTO. A própria cobertura informa que ele ainda não existe comercialmente. É uma frente de pesquisa em novas matrizes energéticas, não uma opção que o dono de uma lancha possa comprar e instalar agora. Não há, nessa apresentação, uma data confirmada para venda ao público. (NÁUTICA)

Outro anúncio de grande escala foi o JAQ H2: uma embarcação de pesquisa de 50 metros apresentada como projeto e maquete, com integração de produção de hidrogênio, propulsão e geração de energia. A chegada ao mar foi prevista para 2027 na reportagem da NÁUTICA. O cronograma é uma previsão do projeto; a apresentação não significa que a embarcação já esteja operando nem que a tecnologia esteja pronta para barcos de lazer.

O que o Boat Show mostrou — e o que ainda pode chegar à água

Os destaques abaixo estão em estágios diferentes: há barcos e motores apresentados, tecnologias demonstradas, um protótipo e projetos de longo prazo. A coluna de expectativa é uma leitura de potencial, não uma promessa de fabricante.

Destaque e estágio O que isso significa
Barcos compactos e pontoons — resumo dos barcos descritos acima. Opções concretas para usos diferentes. Compare capacidade, transporte, motorização e assistência. Fonte
Motores a combustão — motores detalhados acima. Novidades e apresentações de fabricantes; disponibilidade e aplicação devem ser confirmadas por modelo. Yamaha · Mercury · Tohatsu
Propulsão elétrica — modelos detalhados acima. Linhas expostas no salão; autonomia, baterias, recarga, custo total e suporte local são pontos de comparação. Mercury · Hidea
Motor H2 da Yamaha
Protótipo, ainda não comercial.
É uma frente de pesquisa; não há data confirmada para venda ao público. Fonte
Projeto JAQ H2
Maquete de embarcação de pesquisa de 50 m.
A chegada ao mar foi prevista para 2027. É um projeto de pesquisa, não uma solução pronta para lanchas de lazer. Fonte
Compartilhamento e consórcio
Formatos de acesso apresentados por empresas.
Compare contrato, cotas, custos recorrentes, manutenção e agenda de uso. Fonte
Conhecimento e segurança
Náutica Talks: 34 apresentações e mais de 1.500 pessoas.
Conteúdo prático para quem navega, incluindo debate sobre gasolina E32. Fonte
Motores diesel — aplicações detalhadas acima. Opções para instalações e embarcações distintas, incluindo veleiros. Yanmar
Sistema híbrido
Volvo Penta IPS Hybrid.
Apresentação conceitual; chegada ao Brasil prevista para 2027. Comunicado da Volvo Penta

Gasolina E32: o que foi debatido e o que o dono do barco precisa saber

E32 é a gasolina comum com 32% de etanol anidro. A mistura temporária passou a valer no Brasil em 1º de agosto de 2026 por 180 dias; a gasolina premium manteve 25%, segundo a ANP. No Náutica Talks, o tema foi relacionado a possíveis efeitos em motores, componentes e tanques. Isso não significa, por si só, que todo motor seja incompatível ou tenha apresentado problema. Quem usa motor a gasolina deve seguir o manual do fabricante e confirmar qualquer dúvida sobre combustível com a assistência autorizada: não há uma conclusão única para todas as marcas e modelos.

O que a edição de 2026 deixa como leitura

O Boat Show mostrou um setor com ritmos diferentes. Barcos e motores apresentados ao mercado podem ter aplicação próxima, enquanto eletrificação e hidrogênio incluem desde produtos expostos até pesquisa ainda sem prazo comercial. Também ficou visível que o acesso à náutica não depende somente de comprar uma embarcação: compartilhamento e consórcio oferecem formatos distintos, cada qual com custos e regras próprios.

Para o dono de barco, a leitura prática é separar novidade de disponibilidade. Antes de comprar ou adaptar, vale confirmar aplicação, especificações, assistência, peças, garantia e custo de operação. No caso de protótipos e projetos, o interesse está em acompanhar os próximos marcos, sem presumir que a tecnologia já está pronta para uso recreativo.

O que os números confirmam — e o que ainda não

As datas de 24 a 29 de setembro constam no site oficial do São Paulo Boat Show. As vendas citadas neste artigo são relatos de expositores publicados pela imprensa especializada, não uma contagem total do salão. A projeção de R$ 550 milhões foi divulgada antes da abertura; até 8 de outubro de 2026, não havia balanço público confirmando o total efetivamente movimentado.

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