Redação: Equipe SEUBARCO

Resumo: A Ferrari anunciou os dois primeiros velejadores do Hypersail: Giulia Conti, ligada ao controle dos foils, à navegação e à automação, e Shannon Falcone, ligado às operações no mar e à segurança. Eles atuarão ao lado do líder do projeto, Enrico Voltolini, nos testes e no programa futuro de regatas do protótipo oceânico.

Em 21 de setembro de 2026, a Ferrari anunciou Giulia Conti e Shannon Falcone como os primeiros integrantes do sailing team (equipe de vela) do Hypersail. Ao lado de Enrico Voltolini, líder do projeto, eles participarão dos testes no mar e do futuro programa de regatas.

A Ferrari apresenta Conti e Falcone como os primeiros nomes da equipe, não como o time completo. O comunicado não informa quantos integrantes terá a tripulação nem fixa o dia do primeiro teste em mar aberto.

O que é o Ferrari Hypersail?

O Hypersail é o projeto de um veleiro oceânico de competição da Ferrari: um monocasco de 100 pés projetado para navegar apoiado em foils — apêndices submersos que geram sustentação quando há velocidade suficiente e elevam parte do casco, reduzindo seu contato com a água. Esse conceito é chamado de full-foiling.

“Veleiro que voa” é uma forma visual de descrever esse efeito; o barco continua navegando sobre a água e depende de vento, controle e condições marítimas.

Desenhado pelo arquiteto naval Guillaume Verdier, o protótipo foi concebido para navegação oceânica, tentativas de recorde e regatas de longo curso — não como iate de lazer à venda.

A Ferrari apresentou o projeto em junho de 2025 como uma plataforma de competição e desenvolvimento tecnológico. A própria empresa descreve o Hypersail como seu primeiro grande projeto no universo da vela oceânica.

Quem são os primeiros nomes anunciados — e o que farão?

Giulia Conti — desenvolvimento dos sistemas de controle dos foils, navegação e automação. A velejadora italiana participou de quatro edições dos Jogos Olímpicos, conquistou os títulos mundial e europeu de 49er FX em 2015 e venceu, como timoneira, a primeira Women’s America’s Cup, em 2024. No Hypersail, sua função vai além de conduzir o barco: ela deverá trabalhar na gestão dos sistemas de voo e da automação embarcada e planejar e coordenar sessões no simulador e testes no mar. A tarefa é relacionar o comportamento dinâmico do veleiro e a percepção da tripulação ao desenvolvimento de seus controles eletrônicos.

Shannon Falcone — operações no mar e gestão de segurança. Com seis campanhas da America’s Cup e experiência em regatas oceânicas a bordo do veleiro Comanche, um maxi iate de competição, Falcone terá atuação a bordo e em terra. Entre as responsabilidades anunciadas estão coordenar a equipe de apoio em terra, organizar operações no mar e ajudar a estabelecer procedimentos de segurança para um protótipo de alto desempenho.

Enrico Voltolini — liderança do projeto e ligação entre o mar e Maranello. Engenheiro naval e velejador, Voltolini coordena o desenvolvimento esportivo e a formação da equipe. Seu trabalho inclui levar observações e dados recolhidos nos testes para as equipes de engenharia e projeto da Ferrari. Voltolini assumiu a liderança do Hypersail em abril de 2026, após a saída de Giovanni Soldini, apresentado como diretor da equipe (Team Principal) no lançamento do projeto, em 2025.

Por que a equipe precisa entender tanto de vela quanto de sistemas?

O Hypersail foi concebido para combinar navegação oceânica com controle ativo de foils, automação e uma arquitetura elétrica incomum para um veleiro de competição. A equipe terá de observar não só velocidade, mas também estabilidade, resposta dos controles, comportamento do casco e segurança em situações reais.

Os testes permitem comparar o que os sistemas preveem com o que a tripulação sente e observa no mar — informação que pode orientar ajustes de engenharia.

Esse é o contexto para a função de Conti: a automação não substitui a decisão humana; os sistemas precisam responder de modo compreensível e confiável a quem veleja. E a função de Falcone mostra que desempenho oceânico também depende de preparação em terra, comunicação e procedimentos claros, não apenas de manobras a bordo.

O que já foi anunciado sobre a tecnologia e o calendário?

Em 14 de setembro de 2026, a ABB anunciou que será parceira de eletrificação do Hypersail. Segundo Ferrari e ABB, a arquitetura de corrente contínua terá sistemas de 48 e 800 volts para integrar geração, armazenamento e distribuição de energia.

Em visita técnica a Maranello, publicada em julho, a PressMare descreveu cerca de 100 m² de painéis solares no convés e nas laterais, turbinas eólicas na popa e dois conjuntos de baterias de 800 volts. O sistema “Winch by Wire” converte em eletricidade a força gerada nos pedestais — manivelas acionadas pela tripulação — e a redistribui a guinchos elétricos que controlam as velas e a outros sistemas de convés.

A PressMare relatou uma simulação energética que usou como referência as condições enfrentadas pelo trimarã Sodebo Ultim 3 ao conquistar o Troféu Júlio Verne. Nesse cenário, o modelo indicou que o Hypersail geraria energia suficiente para operar seus sistemas. Trata-se de uma projeção simulada, não de um teste real de autonomia do protótipo.

São tecnologias do protótipo, não soluções já disponíveis em barcos de passeio.

O calendário anunciado em 2025 previa lançamento e primeiros testes na água em 2026.

Em julho de 2026, a PressMare informou que os testes no mar estavam programados para o outono e inverno europeus de 2026–27 e que a equipe esperava participar de regatas oceânicas no Mediterrâneo na primavera de 2027.

Mais recentemente, a North Sails, parceira técnica e de vestuário do projeto, passou a informar que a primeira ida à água é esperada para o início de 2027. O anúncio da equipe de 21 de setembro confirmou a participação de Conti e Falcone nos futuros testes, mas não fixou um dia nem confirmou o calendário das regatas. Portanto, início de 2027 é a previsão pública mais recente encontrada para a primeira ida à água, não uma data confirmada.

O que essa notícia significa para quem tem barco no Brasil?

O Hypersail está muito distante do uso de uma lancha, voadeira ou veleiro de passeio: é um protótipo de competição oceânica, com escala, custos e exigências técnicas próprios.

Ainda assim, acompanhar o projeto ajuda a entender como navegação, energia, automação e segurança precisam funcionar como um conjunto. Eventuais aprendizados podem inspirar aplicações futuras na indústria náutica, mas não há anúncio de transferência imediata para barcos de recreio, nem de produto que o proprietário brasileiro possa comprar ou instalar hoje.

Fontes consultadas

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